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4 de Julho de 2016, 10:53

As chances de reeleição de Haddad

Não é de hoje que a administração Haddad sofre muito para agradar os paulistanos e a última pesquisa do Ibope divulgada agora em junho mostra que Haddad terá que suar muito a camisa se quiser se reeleger. Essa pesquisa mostrou que Haddad possui apenas 12% de avaliação positiva (Ótimo ou bom) e esse patamar de avaliação, nesta altura do campeonato, mostra que Haddad chega às vésperas da campanha eleitoral com ampla desvantagem em relação aos outros prefeitos paulistanos que tentaram reeleição em anos recentes.

Marta (que perdeu em 2004) chegou em agosto de 2004 (antes da campanha) com 30% de avaliação positiva e Kassab (que venceu em 2008) com 36%. Haddad só se sobressai sobre Pitta, que nem foi candidato, e tinha apenas 4% de Ótimo/Bom.

O quadro ainda é pior se olharmos o quadro de outros contextos: nas últimas 4 eleições para prefeito em capitais brasileiras (2000-2012), nenhum prefeito chegou as vésperas da campanha eleitoral com nível de popularidade mais baixo do que Fernando Haddad. Depois de Haddad, o prefeito concorrendo à reeleição com menor aprovação em ano eleitoral foi João Henrique Carneiro, prefeito de Salvador, que em agosto de 2008, antes da campanha na TV começar, tinha apenas 20% de Ótimo/Bom. Em Belém, o prefeito Duciomar da Costa também vinha mal e tinha apenas 22% de Ótimo/Bom.

É verdade que tanto Carneiro quanto Costa foram reeleitos. É bem verdade também que esses dois casos possam ser utilizados como alento para Haddad (mesmo que estejam em uma patamar levemente superior de aprovação) defender que o jogo não está perdido (e de fato não está, apesar das dificuldades). Entretanto, captados em conjunto com outros pleitos esses casos mostram que a reeleição de um incumbente com baixa avaliação constitui muito mais a exceção do que a regra, tal como pode ser visto no gráfico abaixo.

% de sucesso eleitoral por faixa de avaliação de governo

Nesse gráfico é possível ver o resultado da análise de 194 casos de eleições (de 2 turnos) para prefeitos, governadores e presidente, onde o próprio incumbente era o candidato à reeleição. Pode-se observar, que apenas 10% dos incumbentes com menos de 30% de ótimo/bom ao fim do primeiro turno conseguiram se reeleger, ao passo que 96% daqueles que possuíam mais de 50% de Ótimo/Bom foram reeleitos.

A conclusão a ser tirada desses dados é bastante singela e óbvia: Se Haddad não melhorar a avaliação positiva de seu governo durante a campanha até o fim do primeiro turno, muito provavelmente não será reeleito.

João Henrique e Duciomar, para tomar novamente como modelos, conseguiram chegar a 31% e 39% de Ótimo/Bom, respectivamente, ao fim do primeiro turno (e mesmo assim, com uma baixa avaliação, venceram). Nos casos paulistanos, Marta chegou a 42% pouco menos de um mês depois da campanha na TV começar, e Kassab em 54%.

Olhando somente pelo prisma da avaliação de governo pode-se afirmar que Haddad tem poucas chances de reeleição. Ainda que o período de campanha possa oferecer alguma oportunidade para que a avaliação positiva de seu governo aumente, Haddad terá enorme dificuldade para se viabilizar eleitoralmente. Se subir 12 pp. (pontos percentuais), como subiu Marta, ou se (for melhor ainda) subir 18 pp. como Kassab, mesmo assim terá apenas 30% de avaliação positiva e as suas chances de reeleição continuarão a ser baixas. Dessa forma, mesmo se melhorar muito, o mais provável é que seu governo fique no meio do caminho. O jogo não está perdido, mas Haddad já começa em ampla desvantagem.


Jairo Pimentel Jr.

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